| Regnum Darkness - Capítulo 2
O sol estava alto naquela hora da tarde.
As pessoas iam e vinham de todos os lados no beco diagonal.
Harry estava encostado em uma das lojas de livros com os braços cruzados,
inquietos.
Seu pé esquerdo batia no chão de pedra. Insistentemente.
Um eco no seu estômago, já passara das duas horas e nem ele nem Sirius
haviam conseguido fazer praticamente nada.
Não que eles não tentassem, desde que entraram na rua de compras mais
movimentada no mundo dos bruxos não paravam de receber cumprimentos.
Todos vinham em direção a eles dizendo algo que parecia uma fita
gravada.
"O Sirius fico feliz em saber que está livre, eu sabia que era
inocente, vejo que está tomando conta do jovem Potter".
Harry já perdera a conta de quantas pessoas haviam se aproximado dos
dois.
Mal conseguiram entrar na primeira loja e lá aparecia mais alguém, e ele
era deixado para trás, parado na rua olhando os outros entrarem
sorridentes e Sirius sem jeito e sem graça.
Olhou diretamente para a loja onde Sirius entrara com mais um amigo que
há muito tempo não via.
Aproveitou o momento para observar atentamente todas as lojas que estavam
bem a sua frente.
Todas elas tinham uma fachada única. Mas uma lhe chamou atenção pela
diferença.
Olhou o outdoor à frente.
ESPELHOS PARA TODAS AS OCASIÕES.
Harry pensou. "Espelhos para todas as ocasiões!" O que poderia
ser?
Olhou de novo para a loja onde seu padrinho estava, dava para vê-lo
conversando animadamente, levaria muito tempo até ele sair.
Resolveu entrar na loja de espelhos especiais, assim passaria o tempo mais
rapidamente.
Assim que passou pela entrada da loja uma voz disse ao vento.
"Bem-vindo Harry Potter... Grande guardião".
Ele não entendeu a última frase, mas como não tinha ninguém
diretamente a quem se dirigir ficou olhando dos lados.
Não havia ninguém.
Porque será que as lojas mais malucas do Beco Diagonal nunca tinham
ninguém para recebe-lo?
Ou o que tinha a oferecer era muito precioso ou de pouca utilidade.
Mas aquela loja era o lugar mais incrível que alguém poderia ver.
Havia uma quantidade tão grande de espelhos espalhados pelo lugar que era
incrível. Espelhos em molduras maravilhosas.
De madeira, de louça e de materiais que Harry jamais vira na vida.
A mesma voz que o recebera ecoou bem atrás.
- Qual espelho procura?
O rapaz virou e a sua surpresa passou de engraçada para séria em
segundos.
A mulher que o recepcionou era muito, mas muito alta. Extremamente alta,
diga-se de passagem.
Magra, usava roupas totalmente negras. Em um vestido longo que lhe caia
aos pés.
Era tão branca que o contraste com as roupas pretas era quase medonho.
Tinha os lábios rubros e olhos negros. Cabelos presos em um coque meio
estranho. Harry piscou algumas vezes e pensou por um momento se ela
poderia ser um fantasma. Mas olhou de novo. Não, não era transparente.
- O que exatamente vende nesta loja senhora?
- Espelhos mágicos... De todos os tipos. Alguns deles lhe mostra o seu
futuro, outros respondem as suas pergunta e outros até mostram o que
você está pensando.
Harry foi andando em direção a um canto mais escuro da loja, um espelho
de moldura simples lhe chamou atenção.
- E este aqui? Harry se aproximou do espelho
- Ah este?! A mulher fez uma careta meio estranha. Este daí é um espelho
normal. De trouxa quero dizer. Ele só reflete a sua imagem... Um lixo de
trouxas.
- Mas essa não é a função de um espelho? Harry perguntou dando de
ombros.
- Não na minha loja. Ela respondeu com desdém.
Ela virou as costas e seguiu em outra direção, ao fundo. Não estava
interessada em atende-lo.
Harry ficou por instantes parado a frente do espelho. Vendo a própria
imagem.
Percebeu que não era mais um garotinho assustado. Dezesseis anos. Já era
praticamente um adulto.
Realmente a comida de Hogwarts era muito boa.
Um brilho estranho partiu do espelho. A tríade retribuiu o brilhou. Uma
imagem.
Harry olhou firme em direção ao espelho.
Parecia um cavalo andando devagar no campo.
Grama por todos os lados.
Mas havia alguém montado em cima, parecia adormecido.
Olhou com mais atenção.
Era Alexia. Estava em cima do cavalo ou até mesmo ferida, com os braços
caídos. Inerte.
Harry ficou assustado. Seu coração disparou. Tocou o espelho e a imagem
desapareceu.
Correu até o fundo da loja, onde a tal mulher estava antes.
- Eu vi alguma coisa lá, naquele espelho de trouxas.
- Você viu alguma coisa? Ela pareceu extremamente indignada.
- Eu vi sim, uma imagem de uma pessoa que conheço. Eu quero ver mais!
- Você deve estar maluco. Este espelho é a única coisa sem graça aqui
dentro desta loja, o máximo que ele faz além de refletir a imagem é
encher-se de poeira. Só.
A mulher passou a frente de um outro espelho, enquanto acompanhava Harry
na direção do espelho trouxa. Ele era o mais antigo o destaque na loja.
Ela arrastava o vestido negro.
Uma voz partiu a sua frente.
- Você há muito não é a mais bela de todas.
- Ora cale a boca seu inútil. Eu só estou aqui por sua causa.
- Você não é a mais bela. Pode ter certeza disso. Está até precisando
de uma plástica. - O espelho parecia que estava dando risadas. E
continuou.
- Aquela moça no espelho trouxa é muito linda... Achei-a demais.
A dona da loja estava indignada e perdeu o interesse em Harry de novo, foi
embora deixando o rapaz confuso no meio de um monte de espelhos falantes.
Ouvindo o que o outro espelho disse Harry correu para frente dele.
Gritando.
- Fale-me o que você viu no outro espelho? Ele ficou parado em frente de
um deles. Tocando-o de leve. Parecia que não havia nada. Mas era nada
mesmo. Nem a imagem de Harry ele refletia.
Um outro espelho ao lado de Harry "disse" baixinho.
- Esse seu amigo aí só fala com mulheres. De preferência bonitas. Ele
não é tolo não.
- Peça para ele repetir o que disse! Harry insistiu.
- Nem adianta, ele é preconceituoso. - Riu.
- Mas que lugar maluco é esse?
- Ora, aqui é uma loja de espelhos mágicos. E ela tem que tomar conta de
nós. Faz parte de maldição sabe. Até a caixinha do caçador ela não
pode jogar fora.
"Caixinha do caçador?!" - Harry pensou olhando a todos os
lados.
Sim, havia algo diferente naquela loja. Uma linda caixinha dourada com
desenhos em flor prata estava em cima de um balcão. Como um amuleto.
- Que caixa é aquela?
- É a caixa que o caçador entregou a ela com o coração daquele gamo
infeliz, mas hoje está vazia. Só como lembrança. Ainda bem.
Harry bateu de leve com a mão na testa. Perguntou.
- O que você faz espelho?
- A minha função é responder perguntas.
- Então me diz o que está acontecendo?
- Eu não sei o futuro, quem sabe o futuro é o Biny aí à frente, ele
só "funciona" depois que é pago. Ele não fala tanto quanto a
gente. A propósito eu sou o Viny.
- E quanto ele custa? Harry pensou em colocar a mão no bolso.
- Mais ou menos uns 150 mil galeões. E de quebra você recebe uma
maldição. Sabe como é, lacre de segurança. Já imaginou você saber o
número da próxima loteria. Impossível.
- Peraí, eu to maluco?!
- Ainda não! Um outro espelho começou a falar, seguido por mais uns
outros dez espelhos ao mesmo tempo.
Harry levou a mão aos ouvidos. Lá dentro parecia um hospício.
Deu um passo para trás e encostou-se em um espelho muito estranho.
Ele tinha uma moldura toda negra e parecia até galhos de árvore queimado
espalhado em volta, o vidro estava todo quebrado.
Uma fumaça refletiu-se na parte interna do espelho.
Harry percebeu a sua imagem nitidamente, mas depois ela foi desaparecendo.
E uma outra imagem. Com em um filme ao fundo.
Harry viu-se correndo para fora de algum lugar. Parecia uma loja, pessoas
o acompanhavam apavorados, gritando.
Percebeu que o lugar estava pegando fogo e todos estavam apavorados,
inclusive ele.
Mas uma coisa a seguir lhe fez ficar nervoso.
Viu que quando saiu do tal lugar um cavaleiro montado em um cavalo negro,
partiu em sua direção, acertando-o em cheio com uma espada mortal,
ferindo seu peito com um corte profundo e preciso.
Harry viu o seu corpo cair, sem vida no asfalto de terra seca enquanto
Sirius o socorria e também era vítima do mesmo destino.
O cavaleiro desceu do cavalo e chegou próximo de Harry, arrancou a
tríade do pingente e um som metálico ecoou dentro da cabeça de Harry.
- CALEM A BOCA. Gritou. - O que esse espelho mostra? Harry tocou de leve
no vidro de Viny, que somente agora mostrou o seu rosto sorridente que de
repente ficou triste.
- Esse espelho é o mais azarado daqui da turma. Já o quebraram umas sete
vezes. Ele mostra a todos o jeito que vão morrer. Mas tudo bem quando
você sair daqui vai se esquecer mesmo.
Um outro espelho falou em seguida.
- É por isso que a rainha vive estressada. A gente vive conversando.
Mas as vozes não saiam de sua cabeça. Se não saísse de lá ficaria
surdo.
Correu para fora. Quase caiu na calçada depois de tropeçar em um rapaz
que passava a frente.
Balançou a cabeça.
- O que está havendo? O homem não gostou muito da súbita aparição de
Harry. Usava um turbante cinza e parecia um monge.
- Desculpe-me senhor, tropecei.
O homem ajudou Harry a se levantar.
- Muito prazer. Apresentou-se. Meu nome e Baltar. Seu amigo.
O estranho fez uma leve reverência.
- Muito obrigado senhor. Desculpe o mau jeito, acho que tropecei ao sair.
- O que estava fazendo dentro dessa loja?
- Foi curiosidade, mas não me lembro se entrei, acho que desisti, ou
não? Não e lembro.
- Essa loja é muito estranha, ninguém se atreve a entrar aí.
Harry achou que aquela frase fazia sentido e virou-se novamente para
observar com atenção.
Olhou para frente da loja.
- Eu não sei, estou confuso Ele olhou para os lados. - Não sei mesmo.
Desculpe-me.
Saiu andando devagar deixando o estranho seguir o seu caminho.
Ele voltou para o lugar onde estava anteriormente. Não se lembrava de
nada que havia acontecido.
Procurou por Sirius dentro da loja... Ele não estava. Olhou para os
lados, um arrepio. Notou uma leve sombra à distância, parecia que
alguém os estava seguindo. Mas como poderia perceber isso no meio de
tanta gente. Sentiu que alguém se aproximava. Um barulho de pedras no
chão. Alguém tocou seu ombro de leve. Um frio gelado na espinha.
Levou um susto ao perceber que era Sirius, estava distraído parecia
cansado.
Olhou para Harry apreensivo, em meio sorriso.
- Não me olhe com essa cara, eu não estou gostando nada disso, da
próxima vez vou vir aqui com você transformado em cachorro.
- Aonde nós vamos agora? Onde nós vamos tentar ir agora?
Sirius olhou em volta, em meio à multidão e disse como um quase
pensamento.
- Nestes anos todo isso aqui não mudou nada.
- Eu acho que aqui não mudou nada a pelo menos há uns 200 anos. Harry
deu um leve tapinha no ombro do padrinho, tinha entendido o que ele tinha
tentado dizer.
- Vamos comer alguma coisa. O meu estômago já está pensando em devorar
o meu fígado, estou morrendo de fome. Sirius sorriu novamente.
Eles andaram mais alguns metros e não foram interrompidos por ninguém...
Por um momento Harry imaginou que Sirius poderia ter tido razão, ele
provavelmente já havia cumprimentado todos os bruxos que estavam no
local.
Harry já tinha visitado o Beco Diagonal muitas vezes, mas cada vez
parecia que tinha algo mais para descobrir.
Mas não quis comentar nada com Sirius. Cada passo que dava continuava
tento a impressão que alguém o observava. Olhava para os lados vez ou
outra e Sirius pode perceber o seu movimento involuntário.
- O que houve Harry? Aconteceu alguma coisa?
Harry pareceu ficar surpreso com a pergunta de seu padrinho. Não gostaria
de incomodá-lo com bobagens.
- Nada não, é que eu estou com fome. Estou procurando um lugar para
lancharmos alguma coisa.
- Você tem razão, eu também estou morrendo de fome.Sirius bateu de leve
na barriga.
Havia vários cruzamentos na avenida principal. Ruas que davam em lugares
simplesmente maravilhosos. É claro que naquela altura Harry sabia muito
bem o caminho que não podia percorrer, era em direção a Travessa do
Tranco e para lá ele conhecia bem o trajeto.
Mas não fora para lá que Sirius o guiou. O Beco Diagonal era o lugar
mais incrível que uma pessoa poderia conhecer.
A quantidade de gente era tão grande que mal podia se andar.
Harry se lembrou que somente era ali que os bruxos e bruxas podiam fazer
as suas comprar livremente. Sem ser incomodados pelos trouxas.
Até agora Harry não se conformava como um lugar como aquele não poderia
ser visto.
Mas Sirius logo completou.
- Existem pessoas que dedicam sua vida a fazer feitiços para esconder
lugares de bruxos, se não fosse assim como poderiam os dragões não ser
vistos voando por Londres. Pois saiba Harry que existem territórios
habitados só por dragões. Eu acho que até Rony já lhe disse isso, não
foi?
- Foi sim, ele me falou aquilo com tanta naturalidade que eu nem dei conta
de que como isso seria possível.
- Pois é, por aqui acontece à mesma coisa. Ainda bem, não gostaria de
ter loucos correndo por aqui. Vez ou outra algum trouxa acaba entrando no
bar por engano, mas logo se esquece de tudo.
Chegaram próximo ao Banco de Gringotes, eles entraram a direita em uma
rua praticamente vazia, e pequena, e bem ao fundo havia uma entrada.
Uma construção muito antiga, praticamente caindo aos pedaços, com uma
pintura gasta. Cadeiras vermelhas do lado de fora. Uma porta estreita de
madeira onde estava escrito Empório dos Bruxos em uma placa bem grande e
bem abaixo em uma placa menor estava. Sirva-se à vontade, mas não deixe
de pagar...
Harry pisou bem a entrada, ouviu um pequeno estalo de madeira velha. Olhou
em volta querendo certificar-se se aquele lugar era seguro. Mas pelo que
percebera aquele era o tipo de arquitetura usada muito no local.
Entrou finalmente, agora a sua visão se acostumava ao ambiente de meia
luz. Levou um susto. O lado de dentro lembrava os mais ricos restaurantes
que jamais freqüentara na vida. Maravilhoso. Velas sobre a mesa e uma
decoração incrível. Lembrava bastante aqueles bares dos filmes de
faroeste que via na TV... Mas bastante mais chique. Mesas redondas de
madeira espalhadas por todo o local.
Logo na entrada uma cena lhe chamou atenção.
Três crianças estavam sentadas em uma das mesas e um homem adulto,
provavelmente seu pai conversava calmamente com elas.
Harry deu um leve toque no ombro de Sirius e mostrou o que estava vendo.
- Olhe só Sirius. Acho que aconteceu alguma coisa.
Sirius olhou com atenção.
- Eu me lembro de ter visto este homem lá no empório, eu acho que ele
estava conversando alguma coisa sobre a mãe deles. Não tenho muita
certeza.
Parecia que havia acontecido alguma coisa e logo em seguida ele saiu.
Sirius continuou - Acho melhor nós ficarmos de olho nas crianças. Eu já
vi muitas delas se perderem dos pais por aqui.
Mas o que mais lhe chamou atenção foi o olhar das três crianças. Elas
pareciam perdidas e assustadas. Harry sabia muito bem o significado
daquilo.
Sirius deu um leve toque em seu ombro e Harry teve que dirigir a atenção
à outra coisa.
- Vamos indo Harry este é o melhor restaurante que temos por aqui. -
Sirius indicou a entrada para ele.
Aquela cena das crianças parecia mesmo ter lhe tirado toda atenção, foi
somente agora que ele notara o ambiente por inteiro. Levou um susto ao ver
a quantidade de pessoas que estava dentro do restaurante. Nem parecia que
do lado de fora estava uma rua vazia. Dava a impressão que todos só iam
àquela rua para entrar no restaurante.
- Olá Sirius. Eu sabia que você retornaria aqui para experimentar o meu
cozido. - Uma senhora de cabelos muito brancos saiu de trás do balcão e
se aproximou de Sirius mostrando um sorriso faltando alguns dentes.
- Norma há quanto tempo não é, estou precisando mesmo daquele seu
cozido de carneiro, preciso engordar alguns quilos.
- Vejo que veio acompanhado do jovem Potter.
A senhora se abaixou em direção a Harry e deu um sorriso franco.
- Você é uma combinação perfeita de seus pais, sinto falta deles.
Harry retribuiu o sorriso e por reflexo olhou para Sirius que naquele
instante olhou sério para a senhora, mas o rapaz viu logo o rosto se
tornar brando novamente. Talvez Sirius compreendesse que Norma estava
sendo franca e gentil com Harry.
Ela apontou um cantinho no restaurante para que os dois se acomodassem.
Harry ficou observando a amiga de Sirius... Por instantes pensou que já a
tivesse visto alguma vez. Mas isso era impossível. Se ela disse que tinha
conhecido seus pais e ele foi morar com os Dursleys quando bebê nunca
poderia ter a conhecido. Balançou a cabeça. Viu algumas pessoas correndo
em um flash rápido de memória, Mas sumiu. Notou que ela mancava
levemente. Eles foram até a mesa indicada e se sentaram.
- Vai querer alguma diferente Harry? Sirius olhou para os lados.
- Como qualquer coisa que pedir. Estou morrendo de fome.
- Eu fico com o ensopado de carneiro que servem aqui. É ótimo mesmo,
estava sentindo falta daquele sabor.
Sirius fez um sinal positivo para Norma que retribuiu a indicação com um
grito que ecoou por todo o restaurante.
- SAIU UM ENSOPADO DA CASA.
Há frente de Harry o que antes estava uma mesa de madeira vazia surgiram
pratos, talheres e uma travessa cheia de ensopado, um prato de arroz e uma
garrafa de vinho.
Sirius gritou para Norma logo que viu os copos surgirem a sua frente.
- Norma eu não pedi vinho.
- É por conta da casa, fique a vontade.
Sirius olhou para Harry sorridente.
- Não acredito. Ela se lembra que eu adoro este vinho. Pode tomar um
pouco, não é muito forte Harry e fica perfeito com este carneiro.
Harry estava com tanta fome que nem falou mais nada.
Os dois se serviram bastante... E Sirius completou, meio tristonho.
Eu e Thiago vínhamos com freqüência até aqui. Não mudou nada o
atendimento nestes últimos anos.
Os olhos de Harry brilharam por um instante.
- Me desculpe Harry, não deveria ter dito isso.
- Sabe de uma coisa Sirius... É muito estranho alguém falar dos meus
pais, eles são uma figura distante para mim, mas ao mesmo tempo tão
próximo porque afinal são meus pais e a história deles é minha
também, é complicado tê-la em picadinho. Montar tudo como um quebra
cabeça... Saber se tudo a verdade. Cada pessoa tem algo para me contar e
as coisas dependem muito do ponto de vista de cada um.
- Harry não se preocupe com isso. Aquelas pessoas que fizeram aquilo com
seus pais não se atreverão a fazer nada de novo enquanto eu estiver do
seu lado, pode ter certeza disso. Sirius falava cada palavra entre uma
mordida e outra.
- Enquanto eu estiver em Hogwarts Dumbledore também vai ficar de olho em
mim. Parece que todo mundo tenta me proteger, isso me incomoda.
- Não entendi. Sirius falou com a boca cheia de arroz.
- Sabe Sirius... De vez em quanto eu imagino como era bom ser apenas o
Harry, só o Harry... E não o famoso Harry Potter. Essas coisas de bruxo
famoso me deixam maluco.
- Sabe, todas as pessoas têm seus momentos de preocupações. Não pense
que a mais humilde delas também não tem esse problema, você não é
melhor nem pior do que muitos por aí, só que a diferença é que você
é um sobrevivente. E eu também. Não são todos que saem de Azkaban para
contar a história.
Harry baixou a cabeça pensativo... Sabia que Sirius dizia a verdade.
Sirius mudou de assunto rápido percebendo que o rumo não estava sendo
muito bom.
- O que você deu a Alexia Harry?
- Sai de casa bem cedo e não sabia exatamente o que comprar, acabei vindo
parar aqui. Não haviam muitas lojas abertas. Mas havia uma pequena banca
montada bem na frente da loja do senhor Olivaras, uma moça usava um
lenço enorme na cabeça, como as mulheres muçulmanas, e estava vendendo
algumas jóias, eu achei um prendedor de cabelo. Mas eu reparei que ela
não está mais lá, deve ser uma ambulante.
Sirius ficou quieto um momento.
- Ambulante no beco diagonal? Eu não percebi nenhum enquanto vinha para
cá! Estranho.
Harry tomou um copo de vinho e realmente não era muito forte, parecia um
simples suco de uva e com o carneiro ficava perfeito.
- Vocês dois são um belo casal, não vou deixar de falar com Dumbledore
amanhã depois que deixar você na casa do Rony, quero que Alexia volte
com você para escola, vai ser importante para ela e para você mais
ainda.
- O que você pretende quando sairmos daqui? - Harry deixou o cotovelo em
cima da mesa, olhava para os lados prestando atenção no restaurante.
- Eu pretendo comprar as minhas coisas que ainda não consegui.
- Depois disso eu vou para a casa do Rony. Ele já deve estar nervoso. Eu
sei como ele é ancioso.
Harry ficou quieto de repente, olhando para os lados, pensativo.
- O que houve Harry? Sirius parou de prestar atenção no seu cozido.
- Estranho Sirius... Você conhece aquele cara que está sentado bem a
nossa esquerda... Lá na mesa bem ao fundo.
Sirius para não chamar tanta atenção resolve pedir mais uma garrafa de
vinho e vira o corpo em direção ao estranho que está bem atrás deles.
Harry reparou que o padrinho ficou mais tempo que o normal virado de
costas.
- Norma mais uma garrafa de vinho, por favor!
Finalmente ficou de frente para Harry de novo.
- Não conheço ninguém parecido como ele, muito menos com esse turbante
cinza estranho.
Harry ficou pensativo por instantes.
- Ele está nos seguindo, eu já o vi há alguns minutos atrás.
- Ora Harry como pode ser! Veio tanta gente me cumprimentar e hoje estava
um dia particularmente cheio.
Olhou para os lados. Dentro de sua cabeça parecia que alguém lhe falava
muito baixinho.
"Tome cuidado, tome cuidado, alguém o observa".
Harry ficou nervoso e desconfortável com a sensação. Pega a tríade
segurando o pingente com força... Abriu a mão gelada. Ele estava
brilhando.
Virou-se para a mesa onde o homem estava anteriormente, ele não estava
mais lá.
Há sua volta, todos pareciam se mover em velocidade reduzida. Era como se
estivesse vendo um filme no vídeo cassete em câmera lenta.
Não ouvia a voz de ninguém, ficou confuso.
Olhou para Sirius... Ele falava com ele do mesmo modo lento, devagar. Só
via-o mexer os lábios.
Esfregou os olhos. Tirou os óculos. Imaginou que as lentes estavam de
novo embaçadas. Colocou-os de volta e nada adiantou. Tudo parecia andar
devagar demais.
Viu uma sombra se movendo em velocidade normal do lado de fora.
Balançou a cabeça de novo. Estava acontecendo alguma coisa de estranha
por ali.
Como é que todos estavam lentos como um filme e só aquela sombra
estranha do lado de fora se movia?
Tudo voltou a velocidade normal de repente.
Olhou para Sirius surpreso.
- O que está acontecendo?
- Tem alguém me observando do lado de fora. Harry estava sério. Olhava
com atenção para a janela à distância.
- Como assim? Sirius parecia confuso.
- O homem de cinza saiu da mesa. Parece que aparatou. - Harry apontou para
os fundos do restaurante.
- Hora Harry deixe isso para lá. - Sirius estava mais preocupado com o
seu almoço.
Harry decidiu que iria ficar quieto. Com certeza não tivera uma boa noite
de sono e deveria estar delirando.
Decidiu dirigir a sua atenção as crianças que estavam na mesa a
distância.
A mais jovem estava com uma aparência de tristeza. Com certeza iria
chorar.
O outro garoto fazia carinhos leves em sua bochecha rosada enquanto dizia
alguma coisa para acalma-la.
A outra menina observava nervosa toda a cena.
- Sirius. Você não notou o quanto aquelas crianças estão nervosas?
- Ah sim, com certeza o pai delas deve ter ido encontrar alguém.
- Eu achava mais interessante ir falar com eles.
- Bom Harry se isto está te incomodando eu acho melhor sim.
Harry não iria conseguir acabar de comer se não falasse com as
crianças.
Levantou-se e passando entre os clientes logo chegou na mesa que ficava
bem próxima a entrada.
- Vocês estão bem? Disse em meio sorriso.
A menina mais jovem entre um soluço e outro disse baixinho.
- Nos perdemos da mamãe. O papai discutiu com ela agora a pouco e ela
disse que iria embora.
O menino mais velho ficou zangado com a pequena por revelar um segredo
tão grande a um estranho mas quando se virou em direção a Harry ficou
branco como fantasma.
- Minha nossa, você é o Harry Potter?!
Harry ficou sem graça. Pensava que já estaria preparado para estas
perguntas, mas sentiu de repente que ficara corado.
- Você pode nos ajudar? A menina do meio disse baixinho.
- Eu não sei como ajuda-los. Para onde foi o pai de vocês?
- Ele foi até o Empório. Foi lá a última vez que vimos a nossa mãe.
Eu acho que ele foi pedir desculpas.
- Só mais um momento. - Harry bagunçou de leve os cabelos negros da
pequenina e voltou em direção a mesa onde estava Sirius.
Novamente aquele movimento em câmera lenta. Parou por instantes.
Observou. Agora a sombra não estava mais na parte da frente do
restaurante e sim nos fundos. Mas desta ve´F¸R„§ó˜c.§A仨ú,lj÷,R»·&˯¶f›†È¸Šƒ3÷8拪¢¢zt²‚»Mž¥Å
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| Regnum Darkness - Capítulo 2
O sol estava alto naquela hora da tarde.
As pessoas iam e vinham de todos os lados no beco diagonal.
Harry estava encostado em uma das lojas de livros com os braços cruzados,
inquietos.
Seu pé esquerdo batia no chão de pedra. Insistentemente.
Um eco no seu estômago, já passara das duas horas e nem ele nem Sirius
haviam conseguido fazer praticamente nada.
Não que eles não tentassem, desde que entraram na rua de compras mais
movimentada no mundo dos bruxos não paravam de receber cumprimentos.
Todos vinham em direção a eles dizendo algo que parecia uma fita
gravada.
"O Sirius fico feliz em saber que está livre, eu sabia que era
inocente, vejo que está tomando conta do jovem Potter".
Harry já perdera a conta de quantas pessoas haviam se aproximado dos
dois.
Mal conseguiram entrar na primeira loja e lá aparecia mais alguém, e ele
era deixado para trás, parado na rua olhando os outros entrarem
sorridentes e Sirius sem jeito e sem graça.
Olhou diretamente para a loja onde Sirius entrara com mais um amigo que
há muito tempo não via.
Aproveitou o momento para observar atentamente todas as lojas que estavam
bem a sua frente.
Todas elas tinham uma fachada única. Mas uma lhe chamou atenção pela
diferença.
Olhou o outdoor à frente.
ESPELHOS PARA TODAS AS OCASIÕES.
Harry pensou. "Espelhos para todas as ocasiões!" O que poderia
ser?
Olhou de novo para a loja onde seu padrinho estava, dava para vê-lo
conversando animadamente, levaria muito tempo até ele sair.
Resolveu entrar na loja de espelhos especiais, assim passaria o tempo mais
rapidamente.
Assim que passou pela entrada da loja uma voz disse ao vento.
"Bem-vindo Harry Potter... Grande guardião".
Ele não entendeu a última frase, mas como não tinha ninguém
diretamente a quem se dirigir ficou olhando dos lados.
Não havia ninguém.
Porque será que as lojas mais malucas do Beco Diagonal nunca tinham
ninguém para recebe-lo?
Ou o que tinha a oferecer era muito precioso ou de pouca utilidade.
Mas aquela loja era o lugar mais incrível que alguém poderia ver.
Havia uma quantidade tão grande de espelhos espalhados pelo lugar que era
incrível. Espelhos em molduras maravilhosas.
De madeira, de louça e de materiais que Harry jamais vira na vida.
A mesma voz que o recebera ecoou bem atrás.
- Qual espelho procura?
O rapaz virou e a sua surpresa passou de engraçada para séria em
segundos.
A mulher que o recepcionou era muito, mas muito alta. Extremamente alta,
diga-se de passagem.
Magra, usava roupas totalmente negras. Em um vestido longo que lhe caia
aos pés.
Era tão branca que o contraste com as roupas pretas era quase medonho.
Tinha os lábios rubros e olhos negros. Cabelos presos em um coque meio
estranho. Harry piscou algumas vezes e pensou por um momento se ela
poderia ser um fantasma. Mas olhou de novo. Não, não era transparente.
- O que exatamente vende nesta loja senhora?
- Espelhos mágicos... De todos os tipos. Alguns deles lhe mostra o seu
futuro, outros respondem as suas pergunta e outros até mostram o que
você está pensando.
Harry foi andando em direção a um canto mais escuro da loja, um espelho
de moldura simples lhe chamou atenção.
- E este aqui? Harry se aproximou do espelho
- Ah este?! A mulher fez uma careta meio estranha. Este daí é um espelho
normal. De trouxa quero dizer. Ele só reflete a sua imagem... Um lixo de
trouxas.
- Mas essa não é a função de um espelho? Harry perguntou dando de
ombros.
- Não naal não parava e Harry levou as mãos ao ouvido.
Um novo inimigo entrou pela porta da frente, carregava um arco em uma das
mãos, foi ele quem atirara a flecha em direção a Harry. Provavelmente
com a intenção de faze-lo sair.
Harry pensou que já o tinha visto em algum lugar. Um flash de imagem. Ele
caído no chão com um ferimento no peito morto. Não sairia dali.
A mais nova começou a chorar. Harry fez um movimento para que ela se
calasse, mas o inimigo já percebera o som. Eles tinham um destino certo.
Apesar de estar escondido Harry percebeu que o Bakrun olhava diretamente
em sua direção, sem mesmo tendo-o visto.
Foi aí que ele tomou uma decisão absurda.
Saiu de trás da mesa e correu em direção ao fundo do restaurante vazio.
O Bakrun ficou confuso. Harry mal sabia que o objetivo dele era levar a
tríade embora... Mas Harry não estava usando o colar e eles não sabiam
se o capturavam ou seguiam os instintos.
A intenção era fazer com que ele o seguisse.
E assim ele o fez.
Como boneco ele seguiu em direção ao seu inimigo.
- Hei, venha me pegar seu bobão.
Harry agitava as mãos no alto, chamando o máximo de atenção possível.
A cada passo que o Bakrum dava em sua direção Harry pensava o que iria
fazer quando ele chegasse muito próximo.
As crianças estavam no chão assustadas. Harry se lembrou. "Não
deixe que eles cheguem perto de sua sombra".
Olhou na direção dos jovens assustados no chão, as sombras a mostra no
piso de madeira.
Foi aí que percebeu que teria que pensar rápido, o Bakrum estava armando
a besta de novo, iria usar a flecha.
Harry fez um movimento com as mãos para que as crianças saíssem e o
mais velho sabia o que era para fazer.
Segurou a mão das duas irmãs mais jovens e assim que o Bakrun sumiu de
vista saíram correndo em direção ao lado de fora.
Mas a pequenina tropeçou e caiu bem próxima a entrada.
Isto fora o suficiente para que ele não tivesse a atenção dirigida
somente a Harry.
Como a distância das crianças era menor o Bakrum virou-se e foi em
direção as crianças. Estava disposto a pega-los.
Harry gritou com toda a força que pode enquanto corria para em vão
tentar ajuda-los.
- NÃO DEIXE QUE ELE PISE EM SUAS SOMBRAS.
O garoto mais velho não percebeu que o Bakrum estava muito
próximo.Estava mais preocupado em ajudar a irmã a se levantar. A menina
foi rápida e saiu correndo. Mas não aconteceu o mesmo com o garoto. O
Bakrum pisa em cima da sombra do menino.
A sombra que antes tinha a forma nítida do menino de repente pareceu ter
forma própria e começou se mexer em um ritmo estranho.
Ele ficou imóvel como se tivesse levado um susto e estivesse ao meio de
um pesadelo. Caiu desmaiado e a sua sombra encolheu e se tornou uma
pequena mancha disforme que se encolheu no chão, se aproximou dos pés do
Bakrum e sumiu. Fora absorvida.
As duas meninas ficaram estáticas. Harry teria que fazer alguma coisa e
rápido. Resolveu fazer o que era mais lógico. Atacaria com as armas que
tinha.
A primeira coisa que fez foi jogar uma das cadeiras em cima dele que por
reflexo desviou a atenção para o objeto, deixando de ir atrás das
meninas.
Harry correu em sua direção e quando estava bem próximo gritou com toda
a força que pode.
- Accio tocha.
Uma das tochas presas a parede voou em direção a sua mão e ele soube
exatamente o que fazer.
O inimigo estava de costas para Harry que encostou a tocha em suas roupas.
O Bakrum usava um manto estranho sob o corpo e com a leve aproximação do
fogo da Tocha logo se incendiou. Mas ele ainda estava vivo. E continuava
andando, agora lentamente em direção as meninas. Deixando um rastro de
fogo no chão de madeira seca. Que logo se proliferou.
O Bakrun ficou imóvel... Daria tempo de Harry fazer alguma coisa.
Se aproximou do garoto e o pegou no colo, jogando-o no ombro.
- CORRAM. Gritou Harry para as duas meninas. SALVEM-SE.
Todo o lugar logo estaria em chamas.
Só que Harry não previu uma coisa nova, o outro inimigo se recuperaria
logo, voltando das cinzas. Se recompondo. Estava mais preocupado naquele
momento em levar o garoto inconsciente para algum lugar seguro. Mas não
deu tempo.
Ele sentiu uma mão forte agarrando os seus cabelos e puxando-o para trás
com toda a força. Estava perdido. Caiu no chão.
Harry olhou para baixo, a sua sombra estava a centímetros de ser tocada
pelo Bakrum, não sabia o que era pior a espada que estava a poucos
centímetros de distância ou a agonia de ter a sua sombra roubada.
Começou a se arrastar para trás, teria que ir em direção a escuridão,
para que não tivesse sombras.
Mas fora em vão. O Bakrum pisou em sua sombra.
Um calor enorme tomou conta de seu corpo como se estivesse no meio do
fogo, de repente a voz de Alexia ecoou em sua mente.
- VOCÊ PODE.
Harry olhou para frente, a sua sombra continuava lá, não havia
acontecido nada, mas o seu corpo ainda parecia estar queimando.
Mas logo percebeu uma coisa mais grave ainda.
Todo o lugar estava em chamas.
Não conseguia respirar e olhou para os lados.
Sirius e o estranho com o turbante entraram correndo. Cada um seguindo uma
direção.
Sirius pegou o menino no colo e saiu correndo sendo seguido pelas meninas
assustadas.
Tudo muito rápido.
O homem desconhecido carregava uma espada e acertara ao meio o Bakrum, mas
ao invés de um corpo morto aos seus pés Harry notou que o inimigo
desaparecera como fumaça e em seu lugar uma mancha como fuligem. Bem a
sua frente.
Harry encolheu as pernas para evitar que alguma parte mesmo em cinzas do
Bakrum o tocasse. Levantou-se com a ajuda do novo amigo. Harry estava com
as pernas bambas.
- O que é aquilo?
- Vamos. Temos que sair. Gritou o estranho. Logo este lugar vai
desmoronar, as crianças já estão lá fora.
Harry abaixou o corpo, respirando com dificuldade. Em segundos eles já
estaria do lado de fora. Harry olhou para os lados e os pais das crianças
já estavam do lado de fora. Esperando-os. Harry tocou em seu pescoço.
Foi aí que Harry deu conta de que não estava com o colar.
- Eu deixei a tríade lá dentro. - Harry levou um susto quando se
lembrou.
Ele percebeu o olhar de desânimo de Baltar.
Harry muito rápido correu em direção de volta ao restaurante em chamas
que agora estavam bem maiores, só ele saberia onde a tríade estava.
Harry não sabia o quanto aquele lugar estava perigoso. Grandes pedaços
de madeira caiam em todas os lugares. Correu o mais rápido que pode em
direção a mesa onde estava caído o colar de Alexia.
Jogou-se embaixo da mesa segundos antes de um pedaço enorme de o teto
desabar. Estava perdido.
Preso embaixo de uma mesa de madeira que logo incendiaria.
"Não perca a esperança" Ouviu novamente.
Segurou a tríade com força, vestiu o colar. Não perderia as
esperanças.
De repente uma voz conhecida. Era Sirius gritando pelo seu nome.
- Harry onde você está?
- Estou aqui embaixo da mesa. Gritou a meio a tosse.
No meio da fumaça Harry pode perceber um movimento na varinha de Sirius.
Ele não estava sozinho. Aquele estranho homem de turbante cinza o estava
seguindo.
- Harry grite mais alto para eu localiza-lo.
- ESTOU AQUI. Gritou de novo.
Harry tentou se levantar... Jogar a mesa para longe. Deu um empurrão com
os ombros. Mas o peso era muito grande e o máximo que conseguiu foi
sentir uma dor intensa. Teria muita sorte se não tivesse deslocado o
ombro.
- ESTOU AQUI. Gritou de novo. EMBAIXO DA MESA.
A fumaça era grande e Harry mal podia vê-los.
Estava ficando sem ar. Tossia bastante.
- Agüente firme Harry. Vamos tira-lo daí. - Não era a voz de Sirius que
Harry havia ouvido.
De repente, um solavanco e a mesa voou para longe.
Baltar havia feito alguma magia e agora segurava Harry pelos ombros.
- Vamos sair daqui antes que tudo desabe.
Harry olhou para os lados. Sirius balançava a sua varinha de um lado para
o outro impedindo que grandes toras incandescentes os atingissem.
Ouviu-o gritar.
- VÃO INDO, JÁ VOU ATRÁS DE VOCÊS...
O homem apoiou Harry em direção a saída. Todos correram.
Mas próximos a saída um desabamento aconteceu.
Baltar com a intenção de proteger Harry o empurrou para fora na rua bem
a tempo de impedir que uma das guias de sustentação o acertasse.
Ficaram separados por um monte de madeira incandecente.
Harry não iria deixar que uma pessoa que acabara de lhe ajudar ficasse
para trás.
- Você está bem?
- Estou com o pé preso, pode deixar. Salve-se.
Harry tentou se aproximar mas era impossível.
Sirius estava separado dos dois. Ouviu ele gritar.
- Vocês estão bem?
- ELE ESTÁ COM O PÉ PRESO. Harry Gritou.
O homem gritava a todo o momento para que Harry saísse, mas ele
ignorou-º.
Foi em direção ao enorme tronco e tentou suspende-lo sozinho. Era muito
pesado. Estava quente.
Pedaços de madeira caiam em toda a volta.
- VAMOS GAROTO VÁ EMBORA. SALVE-SE. Gritava o homem preso.
- NÃO. VOU AJUDA-LO A SAIR. Harry gritou de volta.
Harry levantou o tronco o bastante para que o homem conseguisse respirar e
se livrar do peso. Neste instante Sirius apareceu em meio a fumaça. Um
movimento e o tronco estava longe.
Sirius e Harry apoiaram o homem ferido e saíram em direção a rua.
Os três estavam do lado de fora.
Harry mal conseguira recuperar o fôlego. Estava abaixado, a cabeça doía
como se estivesse recebendo milhares de marteladas.
Olhou para frente. Sirius ainda apoiava o homem ferido.
Harry esfregou o ombro dolorido. Abaixou levemente a camisa. Estava roxo.
Sujo de fuligem olhou para os lados.
Estavam os três no meio da rua, isolados.
Pouco sobrara da cantina. O choque com os Bakruns fora mais forte.
Harry sentiu as suas pernas cambalearem. Moles. Fechou os olhos.
Uma mão gelada tocou o seu ombro bom.
- Você salvou a minha vida. Serei eternamente grato.
Harry deu um meio sorriso. Ele é que estava grato.
- Não precisa me agradecer. Foi você quem me salvou lá dentro.
- Sou mestre das pedras, Baltar. Serei eternamente grato por me salvar.
Neste instante pessoas amigas de Sirius se aproximaram tentando ajuda-los.
- Onde vocês estavam?
- Tem muita gente ferida Sirius, me desculpe.
Foi só aí que Harry notou que realmente algumas pessoas acabaram de
chegar no local e os pais das crianças estavam em estado de choque.
As meninas correram para abraçar os pais enquanto o mais velho fora
socorrido por uma equipe de médicos que chegara no local em segundos. Com
vários médicos.
Inclusive um deles chegou próximo de Harry para ajuda-lo com o ombro
ferido e algumas escoriações.
- Eu quero ir embora... Harry disse em quase um sussurro. Para mim já
chega.
Sirius percebeu que ele estava falando sério e se realmente Harry queria
ir embora ninguém conseguiria forçá-lo ao contrário.
Harry levantou-se devagar e foi em direção ao garoto que estava agora
deitado em uma maca, imóvel... Estava com o coração partido. Perguntou
a um dos enfermeiros.
- Como ele vai ficar?
- Não sabemos ao certo. Não sabemos o que acontece quando uma pessoa
perde a sua sombra. Faremos tudo para ajuda-lo.
Harry ficou imóvel vendo a carruagem partir.
Um leve toque no ombro.
- Sei que você fez tudo o que pode Harry. Sei disso. Você honra o nome
dos Potter, com do seu pai.
Harry olhou para os lados, seu coração estava despedaçado. Ao ver o
olhar daqueles pais preocupados. Nunca saberia como descrever o que estava
sentindo.
Eles entraram dentro da carruagem.
As duas meninas se aproximaram de Harry. Tristonhas.
- Nunca mais iremos esquecê-lo. Você salvou as nossas vidas. Disse a
mais nova delas.
Ela entrou também dentro da carruagem.
Foram embora.
- VAMOS EMBORA SIRIUS.
Baltar se aproximou de Harry e o comprimentou.
- Não quero conversar com você agora. Mas saberei onde encontra-lo tenha
certeza. Daí você saberá a verdade. Guarde muito bem esta tríade. Ela
é a última.
O homem foi embora. Andava firmemente em direção a um muro... E antes de
chocar-se desapareceu.
Ele não entendeu muito bem o que o homem quis dizer com aquilo mas com
certeza jamais tiraria a tríade do pescoço.
Harry saiu em direção ao lado de fora do Beco Diagonal. Teria que ir
até a casa de Rony. Estava afim de esquecer o que tinha acontecido. Não
estava preocupado em saber o que estava acontecendo. Não naquele momento.
Estava querendo sumir dali.
Seu ombro doía demais mas não queria ir até lugar algum, queria sumir
dali.
Sirius já conhecia Harry o suficiente para notar o quanto ele estava
preocupado e desta vez tinha lhe dado toda a razão em ficar daquele
jeito.
Notou que ele segurava a tríade com força.
Mal ele sabia que quando chegasse na casa de Rony teria mais notícias.
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